Descubra como funciona as licitações de obras públicas

Amanda Gregio

A licitação pública é um dos processos mais importantes da construção civil brasileira. É por meio dela que empresas privadas conseguem competir por obras públicas de forma transparente, técnica e dentro da lei. 

Para muitas construtoras, aprender a participar de licitações é o caminho para crescer, conquistar contratos maiores e garantir previsibilidade financeira. Mas, apesar das oportunidades, o processo ainda é visto como complexo, cheio de regras e detalhes. 

Neste conteúdo, você vai entender cada etapa da licitação de obras, como funciona na prática, quais erros evitar e como se preparar melhor. 

O que é uma licitação de obras?

Licitação de obras é o procedimento administrativo usado pelo poder público para contratar serviços de construção, reforma, ampliação ou manutenção de imóveis, vias, equipamentos urbanos e infraestrutura. O processo é obrigatório para órgãos federais, estaduais e municipais e segue as regras da Lei 14.133/2021, que substituiu a antiga Lei 8.666/1993.

Em termos simples, a licitação garante que o governo escolha a proposta mais vantajosa, considerando preço, técnica, prazo e qualidade, sempre com transparência, isonomia e concorrência justa.

Quais são as fases da licitação de obras públicas?

A Lei 14.133 organiza o processo em três grandes fases: fase interna, fase externa e fase recursal, seguidas pela formalização do resultado (homologação e adjudicação). Cada uma delas exige preparo técnico e cuidado documental.

Fase interna

A fase interna é o momento em que o órgão público prepara tudo o que será necessário para lançar a licitação. 

Antes de falar com o mercado, o governo precisa justificar a necessidade da obra, definir o orçamento, elaborar estudos técnicos, analisar riscos e montar o projeto básico ou executivo. 

Também é nessa etapa que o edital começa a ser estruturado, com critérios de participação, regras de julgamento, obrigações contratuais e exigências de segurança, prazos e qualidade. 

Formalização da demanda

Aqui o órgão público justifica a necessidade da obra, apresentando estudos preliminares, levantamentos e análises que comprovem a urgência e o impacto do projeto.

Elaboração do projeto e edital

O projeto básico (ou executivo, dependendo da modalidade) é produzido com todos os detalhes necessários. Em paralelo, o edital ganha forma com regras, critérios técnicos, prazos, obrigações e especificações.

Análise de riscos e matriz de riscos

O órgão identifica possíveis riscos técnicos, ambientais, financeiros e jurídicos que podem afetar o contrato. A matriz de riscos define quem é responsável por cada impacto.

Fase externa

É quando a licitação é aberta ao mercado. Edital publicado, empresas analisando documentos, propostas sendo preparadas e toda a disputa acontecendo diante das regras oficiais.

Divulgação do edital

O edital é publicado no PNCP e nos canais oficiais. A partir desse momento, todas as empresas podem acessar os documentos e tirar dúvidas.

Apresentação de propostas e lances

As empresas encaminham suas ofertas técnicas e comerciais conforme as exigências. Dependendo da modalidade, podem ocorrer lances sucessivos para disputa de preços.

Julgamento das propostas

A administração avalia preço, técnica ou ambos, conforme critério estabelecido. Aqui, qualquer inconsistência pode desclassificar concorrentes.

Habilitação dos licitantes

A fase de habilitação verifica se a empresa vencedora cumpre requisitos jurídicos, fiscais, trabalhistas, técnicos e financeiros.

Fase recursal

Caso alguma empresa discorde do resultado, abre-se prazo para apresentação de recursos. O órgão analisa e decide pela manutenção ou revisão do julgamento.

Homologação e adjudicação

A autoridade competente homologa o resultado e adjudica o objeto à empresa vencedora.

A partir daqui, o contrato pode ser assinado e a obra iniciada.

Modalidades comuns para obras

A Lei 14.133/2021 eliminou algumas modalidades antigas (como pregão para obras) e consolidou outras. As mais relevantes para construção civil são:

Concorrência

É a modalidade mais usada para obras de médio e grande porte. Permite participação ampla, qualquer empresa que atenda às exigências pode concorrer.

Como funciona a modalidade concorrência para obras públicas

A concorrência é a modalidade mais completa e estruturada de licitação para obras públicas, usada quando o valor do contrato é alto ou quando o órgão público exige um processo mais rigoroso. 

Ela começa com a publicação do edital, sempre com boa antecedência, para que as empresas tenham tempo de analisar as exigências, preparar documentos, montar propostas técnicas e comerciais e tirar dúvidas.

Após o edital ser divulgado, as construtoras interessadas enviam suas propostas dentro do prazo estabelecido. Essas propostas são divididas em duas partes: técnica, que avalia a capacidade da empresa executar a obra, e comercial, que trata dos preços. O órgão público então faz o julgamento das propostas seguindo estritamente os critérios definidos no edital, garantindo transparência e equidade no processo.

Depois da fase de julgamento, ocorre a habilitação, momento em que a administração pública verifica toda a documentação jurídica, fiscal, técnica e financeira das empresas melhor classificadas. É comum que alguma empresa apresente recurso caso discorde de uma decisão, e por isso existe a fase recursal, onde todos os argumentos são analisados antes da decisão final.

Concluídas essas etapas, acontece a homologação, quando o órgão oficializa o resultado e adjudica o contrato à empresa vencedora. 

Tomada de preços

Usada para empresas previamente cadastradas ou que se cadastrem até 3 dias antes da data de recebimento das propostas. Indicada para contratações de porte intermediário.

Convite

Modalidade menos formal, utilizada para obras de menor valor, na qual o órgão convida diretamente um número mínimo de empresas. Ainda utilizada em alguns contextos específicos previstos na lei.

Diálogo competitivo

Modalidade recente, indicada para projetos inovadores ou soluções que o órgão público ainda não sabe exatamente como estruturar. É comum em obras de infraestrutura mais complexas.

Erros comuns que desclassificam empresas em licitações de obras

Muitas construtoras são eliminadas não pelo preço, mas por detalhes técnicos. Os erros mais frequentes incluem:

  • Documentação incompleta ou vencida;
  • Atestados técnicos incompatíveis com o escopo;
  • Não atendimento das exigências ambientais ou de segurança;
  • Propostas com erros matemáticos ou divergência de valores;
  • Falta de assinatura digital adequada;
  • Não observância de regras do edital.

A maioria das desclassificações ocorre por falhas evitáveis de organização interna.

Qual o tipo de licitação mais utilizado para obras públicas?

A concorrência é a modalidade mais usada porque atende à maior parte das obras de infraestrutura e edificações, garantindo amplo acesso e segurança jurídica. Em valores menores, a tomada de preços ainda aparece com frequência.

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